Nesta nova série de entrevistas pelo nosso 20 aniversário, falamos com Pedro Pérez García, diretor de Operações Industriais do Grupo Entrepinares.
O Grupo Entrepinares nasceu em 1984, fruto do impulso empreendedor de Antonio Martín. Quatro décadas depois, a companhia consolidou-se como um dos principais produtores de queijo em Espanha, ultrapassando os 100 milhões de quilos anuais e atingindo em 2024 uma faturação de 665 milhões de €.
Com sete centros de produção [(Valladolid, Vilalba (Lugo), Castrogonzalo (Zamora), Fuenlabrada e Los Yébenes (Toledo)] e uma equipa de 1.500 pessoas, a companhia opera em estreita colaboração com mais de 700 explorações pecuárias locais, das quais recolhe 585 milhões de litros de leite por ano. O seu modelo de crescimento baseia-se na eficiência industrial, na proximidade à origem e na aposta pelo desenvolvimento rural.
A sustentabilidade faz parte do eixo estratégico da organização, estruturada em torno de quatro focos chave: pessoas, produto, meio ambiente e sociedade.
O que vos levou a implementar o Lean na vossa empresa?
Antes de implementar o Lean, no Grupo Entrepinares encontrávamo-nos num momento crucial de crescimento e transformação. Como empresa líder no fabrico de queijos, com uma vasta gama de produtos e uma forte presença no mercado, começámos a detetar uma série de desafios que nos impulsionaram a procurar uma melhoria estrutural nos nossos processos. Deparávamo-nos com processos que, embora funcionassem, não estavam totalmente otimizados.
O crescimento da procura e a complexidade operacional exigiam-nos maior agilidade e controlo. Queríamos manter os nossos padrões de qualidade, mas sendo mais eficientes e sustentáveis.
A iniciativa partiu da direção, mas desde o princípio procurou-se envolver toda a equipa. Sabíamos que para que o Lean funcionasse, devia fazer parte da nossa cultura, não apenas como uma ferramenta, mas como uma forma de pensar e melhorar continuamente.
Em resumo, o Lean oferecia-nos uma metodologia clara para reduzir desperdícios, padronizar processos e, sobretudo, empoderar as pessoas para que participassem ativamente na melhoria contínua.
O que alcançaram graças ao Lean?
A implementação do Lean no Grupo Entrepinares representou uma transformação profunda que teve um impacto muito positivo e tangível em vários níveis.
A nível de resultados, conseguimos uma melhoria significativa na eficiência dos nossos processos. Reduziram-se os tempos de produção, os desperdícios e os custos operacionais. Isto permitiu-nos ser mais ágeis, responder melhor à procura e manter a qualidade que nos caracteriza.
No que diz respeito às pessoas, um dos maiores feitos foi a mudança na mentalidade. O pessoal está agora muito mais envolvido na melhoria contínua. Sentem-se ouvidos, valorizados e parte ativa do processo. Fomentámos uma cultura de participação, onde as ideias de melhoria surgem da própria equipa de trabalho.
Culturalmente, o Lean ajudou-nos a quebrar silos entre departamentos e a trabalhar de forma mais colaborativa. Agora partilhamos objetivos comuns, usamos indicadores visuais para tomar decisões mais rápidas e fomentamos a transparência em todos os níveis.
Em resumo, o Lean não só nos permitiu melhorar os nossos processos, como também fortaleceu a nossa cultura organizacional e empoderou as pessoas. Hoje somos uma empresa mais eficiente, mais coesa e com uma clara orientação para a melhoria contínua.
Qual foi o momento crucial do projeto?
O momento crucial do projeto chegou quando aplicámos o Lean na linha de embalamento de fatias de queijo. Até então, tínhamos paragens frequentes, mudanças de formato lentas e uma eficiência que não refletia o potencial real da linha.
Através de ferramentas Lean como a análise de perdas, padronização de tarefas e trabalho em equipa entre produção e manutenção, conseguimos identificar as verdadeiras causas raiz. Implementámos melhorias simples, mas eficazes, como ajustes na sequência de mudança de formato e melhorias na limpeza entre turnos.
Em poucas semanas, o OEE melhorou de forma notável. Mas o mais impactante foi ver como a equipa se motivou ao ver resultados tão claros fruto das suas próprias ideias. Esse foi o clique: quando passámos de “fazer Lean” para “pensar Lean”. A partir daí, a abordagem de melhoria contínua tornou-se parte do dia a dia.
O bom arranque nessa zona de embalamento fez com que outras pessoas da fábrica estivessem expectantes e com vontade de que o Lean chegasse aos seus locais de trabalho.
Por que nos escolheram?
Escolhemos trabalhar com a SGS PRODUCTIVITY porque procurávamos um parceiro que não só tivesse experiência técnica, mas que também entendesse as nossas necessidades humanas e culturais. Desde o primeiro momento sentimos que não vinham apenas implementar uma metodologia, mas acompanhar-nos numa mudança profunda. O que mais nos convenceu foi a vossa proximidade, a vossa capacidade de ouvir e de entender realmente como somos na Entrepinares: uma empresa com alma industrial, mas também muito humana.
Ajudaram-nos a traduzir os princípios Lean para a nossa realidade diária, sem fórmulas mágicas nem soluções padrão. Souberam conectar com as equipas de fábrica, falar a sua linguagem e gerar confiança desde o primeiro dia. Isso foi crucial para que a mudança se enraizasse de verdade.
Mais do que consultores, sentíamo-vos parte da equipa. E isso, num processo de transformação como este, marca a diferença.
Conte-nos alguma história que tenha vivido com a SGS PRODUCTIVITY.
Uma história que sempre recordamos com carinho foi durante um dos primeiros workshops em fábrica. Estávamos a trabalhar na linha de embalamento de fatias de queijo, e um dos operários, que no início era bastante cético com tudo isto do Lean, propôs uma melhoria muito simples para reorganizar a área de mudança de formato.
O mais bonito foi ver como a equipa da SGS PRODUCTIVITY não só ouviu a proposta, como a valorizou, a pôs em prática connosco e, pouco tempo depois, vimos resultados reais. Esse operário passou de ser cético a tornar-se um dos mais ativos nas reuniões de melhoria.
Foi um momento muito especial porque aí entendemos que o Lean não é só sobre ferramentas, mas sobre pessoas. E a SGS soube criar esse espaço de confiança onde todos se sentissem parte da mudança.
Como viram a vossa equipa evoluir ao longo do projeto?
A evolução da equipa foi, sem dúvida, um dos maiores feitos do projeto. No início, como é natural, havia alguma desconfiança e dúvidas.
Mas pouco a pouco, à medida que começaram a ver resultados concretos — melhorias nos tempos, menos incidentes, mais ordem —, a mudança foi muito visível. As pessoas começaram a envolver-se, a propor ideias, a sentir-se ouvidas. Passámos de uma atitude mais reativa para uma muito mais proativa.
Hoje vemos equipas que analisam os seus próprios dados, que celebram pequenas melhorias e que se sentem parte de algo maior. O orgulho pelo trabalho bem feito cresceu, e também a colaboração entre departamentos.
Em resumo, a equipa passou de “fazer o seu trabalho” a “melhorar o seu trabalho”. E isso, para nós, é uma transformação profunda.
Se tivesse de definir a colaboração com a SGS Productivity numa só frase… qual seria?
Mais do que uma consultoria, foram um parceiro de viagem na nossa transformação. Com a SGS PRODUCTIVITY descobrimos que a verdadeira mudança não começa nos processos, mas nas pessoas que acreditam que sempre se pode fazer melhor.”